United Magazines
 
Plástica & Beleza
Saúde
Envie para um amigo Imprimir

Endometriose liberte-se!


Dores que com o tempo podem se tornar intensas, distúrbios em alguns órgãos e infertilidade - estes são alguns dos sintomas e complicações da endometriose, doença que precisa de tratamento multidisciplinar. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de evitar a evolução do problema


Por Mariana Viktor

Fotos: latinstock (abertura) / elena Moiseeva © Fo

Todos os meses, durante a menstruação, a parede interna do útero - chamada endométrio - descama e é eliminada sem maiores problemas. No entanto, em cerca de 10 a 15% das mulheres, as células do endométrio podem se implantar na cavidade abdominal e pélvica, criando focos de tecido endometrial nas tubas uterinas (antes chamadas de trompas), no ovário e até mesmo em órgãos como bexiga, intestinos, diafragma e pulmões. "O organismo considera os implantes como corpos estranhos e reage provocando uma inflamação local que costuma causar muita dor", explica o ginecologista Mauricio Abrão, presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose.

No início, a dor aparece só durante o período menstrual e é confundida com a cólica. Com a evolução do quadro, a dor passa a incomodar também fora do período menstrual e pode se tornar insuportável.

Entre o começo dos sintomas e o diagnóstico podem se passar cerca de 7 anos! Muitas portadoras de endometriose costumam passar pelos consultórios de diversos ginecologistas antes de descobrir a razão de suas dores - e, nesse meio-tempo, a endometriose segue avançando.

Sem tratamento, a tendência é a doença comprometer a qualidade de vida. "É que, com o tempo, os focos podem crescer e há a possibilidade das inflamações formarem aderências entre os tecidos próximos, tornando a dor incapacitante", adverte o médico.

Diagnóstico e prevenção
"Desenvolvemos formas não-invasivas de fazer o diagnóstico - a partir de bons exames clínicos e, sobretudo, com os métodos por imagem." O ideal, explica o Dr. Mauricio Abrão, é que o médico faça um exame clínico detalhado. Além dos sintomas relatados pela paciente que podem indicar a doença, como dor, o exame de toque e a palpação abdominal vão mostrar se há dores localizadas, aumento abdominal, tecidos inflamados, nódulos ou aumento dos ovários. O médico pode solicitar a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, capaz de indicar alterações. Se houver suspeita de focos é recomendável fazer laparoscopia para visualizar a localização exata dos focos.

Tratamento
Pode incluir o uso de anticoncepcionais e medicamentos que façam cessar temporariamente a produção hormonal. Há também a possibilidade de suspender o ciclo menstrual com medicamentos específicos.

"A cirurgia mais indicada é feita com laparoscopia, que permite não só ver as áreas afetadas através de pequenas incisões abdominais como remover os tecidos com laser ou cautérios. Se houver cistos no ovário também é preciso retirá-los cirurgicamente", esclarece o médico Mauricio Abrão. Mas a remoção dos implantes não garante a cura da endometriose, apenas seu controle. Novos focos podem surgir e crescer. "Embora a retirada dos ovários seja uma solução, isso pode significar a troca de um problema pelo outro: mesmo com a reposição hormonal há risco de desenvolver osteoporose, depressão e irritabilidade, além de aumentar a chan-ce de problemas cardiovasculares", alerta Abrão. "Além disso, a retirada dos ovários não resolve a endometriose instalada no intestino, porque a reposição hormonal daria continuidade à doença."

Mudança no estilo de vida
Caso a doença seja detectada é imprescindível mudar a qualidade de vida. "Sabe-se que a endometriose tem estreita relação com o sistema imunológico.

Portanto, quem tem a doença deve desenvolver um estilo de vida mais saudável. A prática regular de exercícios, alimentação balanceada e uma boa cabeça para lidar com a ansiedade e com o estresse são fundamentais, já que o fator emocional tem grande influência no desenvolvimento da endometriose", avisa o médico.

Infertilidade e outras complicações
"Se os implantes forem no intestino, o bloqueio pode dificultar a passagem das fezes, provocando dor ao evacuar. Focos na bexiga costumam causar ardência ao urinar e vontade de fazer xixi com maior frequência.

A presença de implantes no ovário pode originar o desenvolvimento de cistos. No diafragma, pouco comum, causa dor no ombro durante a menstruação. Já a endometriose pulmonar, que é muito rara, pode provocar tosse com sangue no período menstrual", diz o Dr. Mauricio Abrão. Não se sabe por que a intensidade dos sintomas nem sempre é proporcional à severidade da doença: algumas mulheres com focos pequenos e em pouca quantidade podem ter dores fortes, enquanto outras, com focos numerosos e maiores, apresentam sintomas mais suaves. Vale lembrar que a endometriose pode causar infertilidade porque as aderências que a doença gera por causa das inflamações provocam bloqueios no funcionamento das tubas uterinas, que ligam o ovário com o útero.

Fotos: latinstock (abertura) / elena Moiseeva © Fo

Alimentação saudável é tudo
"Estudos científicos já estabeleceram relação entre a endometriose e "Estudos científicos já estabeleceram relação entre a endometriose e a alimentação", diz a nutricionista funcional Silvia Benvenuti Pereira, da Clínica Medicina da Mulher (SP). "Uma dieta balanceada é essencial para preservar o equilíbrio da produção hormonal e do sistema imunológico das mulheres. Por isso, fifique de olho no que você anda colocando no prato.

CONSUMA HABI TUALMENTE
Frutas frescas e vegetais verdes, de preferência sem agrotóxicos, que são ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes.
Acerola, caju, laranja e manga, fontes de vitamina C, antioxidante essencial na resposta do sistema imunológico.
Azeite de oliva extravirgem, gérmen de trigo e castanhas, ricas em vitamina E, poderoso antioxidante.
Gorduras boas, como as do azeite de oliva extravirgem.
Minerais, como zinco (presente nas carnes, frutos do mar, sementes de girassol e espinafre), selênio (abundante na castanha do pará - bastam 3 por dia), cobre (crustáceos, nozes, sementes, frutas secas, farelo e germe de trigo) e manganês (folhas verdes, gema de ovo, banana, abacaxi, nozes, grãos, legumes) são essenciais para produzir enzimas antioxidantes.
Iogurte (de preferência sem açúcar), pois contém probióticos que fortalecem o sistema imunológico.
Compostos bioativos, como resveratrol (presente no suco de uva), ácido elágico (frutas vermelhas), catequinas (chá verde), curcumina (açafrão), capsaisina (pimenta vermelha), genisteína (soja), dialil-sulfeto (alho), ácido cafeico (mel), indol-3-carbinol (repolho), sulforafane (brócolis) e gingerol (gengibre) diminuem a produção de substâncias infl amatórias e protegem contra o efeito das dioxinas.

FIQUE LIGADA
As fibras alimentares, presentes em frutas, verduras, legumes ajudam a eliminar o excesso de estrogênio (hormônios que podem acentuar a endometriose). Já alimentos fonte de fitoestrógenos, como a linhaça e a soja, podem modular a produção da enzima aromatase (produzida quando estamos acima do peso e que está ligada a produção de estrogênios).

Fotos: latinstock (abertura) / elena Moiseeva © Fo

EVITE
Gorduras animais. Existem evidências que a ingestão de alimentos contaminados por dioxinas (toxinas ambientais liberadas na atmosfera, que se depositam no solo, nas águas dos rios e mares, contaminando os suprimentos alimentares do gado e peixes) podem aumentar o risco de desenvolvimento da endometriose. "Quando digeridas pelos animais, as toxinas depositam-se principalmente na sua capa de gordura. Os alimentos de origem animal são a fonte primária da exposição humana a essas dioxinas", alerta a nutricionista.
Gorduras saturadas, transaturadas e hidrogenadas propiciam um aumento do processo infl amatório no organismo. Essas gorduras "do mal" estão principalmente em frituras, biscoitos recheados, sorvetes de massa, embutidos, frios, congelados e nos alimentos de fast food.
Carboidratos simples de alto índice glicêmico (açúcar, chocolates, refrigerantes, arroz e preparações elaboradas com farinhas refinadas) enfraquecem os músculos, contribuindo para a fadiga, irritação e ansiedade, além de diminuir as reservas de vitaminas do complexo B, C e cromo do organismo.

Psicoterapia x Endometriose
"Ela é fundamental no tratamento, uma vez que a endometriose tem um forte componente emocional em sua gênese", diz a psicóloga Cristina Mendonça Abrão, da Clínica de Medicina da Mulher. Pacientes com endometriose têm tendência a ficar mais ansiosos e estressados, e maior dificuldade em lidar com os problemas. "A endometriose é a ponta visível do iceberg, a manifestação física de confl itos que partem geralmente de autocobranças muito acentuadas. Mulheres que vivem para a profissão e deixam a vida pessoal e o lazer de lado são as maiores candidatas a ter a doença", observa a psicóloga. A terapia pode ajudar na ressignificação da própria vida, na forma de lidar com a ansiedade e com os confl itos e assim diminuir ou até eliminar os sintomas da doença, entre eles a dor e a infertilidade.

 
Envie para um amigo Imprimir
Sumário
Edição 106





Matérias + Lidas
Plástica e Beleza :: Gente :: ed 106 - 2009
Ela é Puro Êxtase!
Plástica e Beleza :: Beleza & Cosméticos :: ed 106 - 2009
Pílulas da beleza
Go Where Gastronomia :: Roteiro :: ed 32 - 2009
Adoráveis sanduíches
Plástica e Beleza :: Plástica & Cia :: ed 106 - 2009
Pernas lindas no Verão

Matérias relacionadas
Plástica e Beleza :: Direto da Redação :: ed 0
Leite: muito além da osteoporose
Plástica e Beleza :: Saúde :: ed 106 - 2009
Saúde em dia
Plástica e Beleza :: Beleza & Cosméticos :: ed 106 - 2009
Clínica de estética

Cadastre-se e receba nosso boletim.





   

United Magaziness
ContentStuff - Gerenciamente de Conteúdo | CMS