 Fono + Dentista: parceria de sucesso
Saiba como essa parceria de sucesso irá lhe ajudar a ficar com a saúde bucal em dia e com a estética perfeita Por Andréa Quitto

Respirar, mastigar e deglutir são ações automáticas que qualquer um de nós faz no dia-a-dia. E da mesma forma que é automático realizar tudo isso, muitas vezes, sem perceber, fazemos algumas dessas funções de maneira incorreta e o próprio organismo cria uma alternativa para que ela seja realizada de alguma outra forma, mesmo que erradamente. Por exemplo, quando a respiração está prejudicada, o que a gente faz? Instintivamente respira pela boca! E se estivermos com uma dor de dente ou usarmos aparelho ortodôntico ou dentadura e isso dificultar a mastigação? Logo buscamos outra maneira de deglutir, mastigando pelo lado da boca onde o incômodo for menor ou engolindo o alimento sem mastigar. A grande questão é que tudo isso resolve um problema, mas cria outro. Afinal de contas, hábitos errados de mastigação, respiração e posicionamento lingual prejudicam a arcada dentária. De acordo com a fonoaudióloga Kátia Badin, do Centro de Avaliação de Desenvolvimento Infanto-juvenil - CADIJ (RJ), a odontologia, mais especificamente a ortodontia, corrige as alterações das arcadas dentárias, porém muitas vezes essas alterações surgem como conseqüência de problemas de respiração ou deglutição, por exemplo. E como a fonoaudiologia é a especialidade responsável por essas áreas, torna-se fundamental a integração entre a odontologia e a fonoaudiologia, pois uma ajusta a forma e outra a função dos ossos bucais.
A versão da odontologia
Segundo o cirurgião-dentista João Pedro Aloise (SP), problemas como falta de dentes, restaurações incorretas, próteses mal-adaptadas ou com volume alterado e problemas na articulação têmporo-mandibular (ATM) provocam modificações dentro de toda cavidade bucal do indivíduo, repercutindo diretamente na fala. “A articulação dos sons depende da posição da língua e da sua capacidade de se movimentar, da presença e da posição dos dentes, da movimentação dos lábios e das bochechas”, completa. Para ele, o trabalho conjunto entre os profissionais da Odontologia e da Fonoaudiologia deve ser valorizado e mantido durante o tratamento, principalmente quando há dificuldade de adaptação funcional de próteses, aparelhos ou restaurações. “O tratamento multidisciplinar entre profissionais de áreas afins proporciona mais benefício ao paciente que recebe um tratamento altamente qualificado”, enfatiza.
Prevenção desde cedo!
Engana-se quem acredita que os problemas de má formação dos ossos orofaciais se dão a partir do nascimento dos dentes permanentes, o que acontece por volta do sexto ano de idade. Na verdade, eles começam bem antes, ainda na primeira infância (de zero a três anos). Isso porque desde o nascimento, as nossas arcadas dentárias necessitam do estímulo correto para se desenvolverem. Nesta fase, a respiração, a amamentação e a deglutição, feitos de maneira correta, são fundamentais. Para a fonoaudióloga Kátia Badin, desde a primeira infância é possível ensinar hábitos corretos das funções principais para evitar problemas com as arcadas. “Em um primeiro momento, faz-se orientação junto aos pais sobre como alimentar seu filho, ressaltando a importância do aleitamento materno para o desenvolvimento das estruturas orofaciais. Da mesma forma, quando a alimentação se dá por mamadeira, eles são orientados a observar os bicos próprios para cada fase do desenvolvimento. Outro fator fundamental é a consistência dos alimentos, que também podem interferir no resultado da musculatura orofacial. É importante mesclar alimentos moles - como massas e sopas -, com alimentos mais resistentes - como carnes -, onde o número de ciclos mastigatórios para a trituração do mesmo é maior”, explica. Esses e outros cuidados vão evitar futuros problemas de mordida torta, aberta ou cruzada.
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