 Milagre da ortopedia Por Regina Nascimento
A ortopedia facial, ou ortopedia funcional dos maxilares, é uma forma de tratamento que visa corrigir na criança em desenvolvimento as divergências de crescimento ósseo entre a maxila e a mandíbula, redirecionando, estimulando e, até mesmo, restringindo o crescimento por meio de parelhos bucais. As técnicas aplicadas não são agressivas e permitem criar uma aparência equilibrada, satisfatória e harmônica da face, evitando problemas de auto-estima e rejeição, assim como alterações futuras de mal posicionamento dos dentes, desequilíbrio da oclusão, estresse do sistema neuro-muscular e até disfunções da articulação temporomandibular.
Se a sua face está desarmônica, e você insatisfeita com seu visual, isso pode ter ocorrido devido a um crescimento dos ossos de maneira errônea, seja por falta de crescimento, seja por excesso do mesmo. São as chamadas Classe II e Classe III (vide figuras). A pessoa que apresenta Classe II é aquela que tem um desequilíbrio horizontal entre a maxila e a mandíbula, dando a impressão que ela não possui queixo (um exemplo típico desta má formação é o compositor Noel Rosa). A Classe III é exatamente ao contrário, é o indivíduo que apresenta uma mandíbula grande, dando a impressão de queixudo (um bom exemplo é a bruxa das histórias infantis e o príncipe Dom Pedro I, que disfarçava com a barba). Qualquer que seja a alteração de seus dentes e ossos da face, estes podem ser reposicionados para criar uma melhor aparência, equilibrada, satisfatória e harmônica. Para falar sobre o assunto, convidamos o Prof. Dr. Cícero Las-cala, mestre e doutor em diagnóstico bucal pela USP (Universidade de São Paulo), especialista em ortopedia facial, ortopedia funcional e ortodontia.
O que é a ortopedia facial ou ortopedia funcional dos maxilares?
A ortopedia é uma forma de tratamento que visa corrigir as divergências do crescimento entre a maxila e a mandíbula. Re-direcionando, restringindo e, até mesmo, estimulando o crescimento por meio de aparelhos bucais.
Como é feita a correção desse problema?
Colocam-se aparelhos intrabucal para alterar a postura da mandíbula, estimulando-a a crescer nos casos de Classe II, ou restrin-gindo o crescimento nos casos de Classe III. Toda vez que a criança fecha a boca com o aparelho ortopédico, ocorre uma alteração da postura da mandíbula no sentido anterior; por meio desses dispositivos, a cabeça da mandíbula sai da cavidade e quando ela abre a boca a mandíbula retrai. Esse avanço e retração constante da mandíbula são cópias do movimento da amamentação. O organismo entende isso como um estímulo e promove um incremento na região do côndilo mandibular. Tendo como resultado um aumento quantitativo do crescimento mandibular, além do que ela cresceria so-zinha. Fazemos esse avanço gradual até obtermos o equilíbrio das bases ósseas. Para prevenir problemas futuros, aconselho a todos os pais que consultem um especia-lista em ortopedia facial. Ele vai examinar e verificar se está tudo bem com o desenvolvimento da mandíbula da criança.
O tratamento só funciona em crianças?
Esses dispositivos ou aparelhos ortopédicos foram desenvolvidos para atuar em indivíduos em crescimento, ou seja, em uma idade bastante jovem (a partir de 7 a 8 anos), até adolescentes do sexo masculino na faixa etária de 14 a 16 anos, e nas meninas 12 a 14 anos. O que vai determinar em qual faixa ou estágio de crescimento que o jovem se encontra, é a idade biológica e não a cronológica propriamente dita.
Quando não há mais crescimento, o que pode ser feito?
Ainda nos resta o tratamento combinado. A Ortodontia em associação à cirurgia Ortognática. A Ortodontia irá corrigir os dentes, alinhando-os e nivelando nas bases ósseas, ou seja, maxila e mandíbula. E a cirurgia Ortognática se encarregada de corrigir as bases ósseas.
A ortopedia facial pode ser utilizada em adulto?
Sim. A ortopedia facial ou ortopedia funcional dos maxilares pode ser utilizada em adulto, não com o intuito de crescer e igualar as bases ósseas. Inúmeros relatos demons-tram que, quando foram utilizados esses recursos para tentar crescer, em seis meses a mandíbula voltava a sua posição original. Isso acontece porque durante o tratamento houve somente uma compensação muscular e, em muitas vezes, os pacientes desenvolvem as chamadas disfunções temporomandibulares, ou seja, problemas na ATM (articulação temporomandibular). Então, utilizamos a ortopedia em adulto para contenção, após cirurgia Ortognática; nos tratamento das disfunções da ATM e também no tratamento do ronco e da apnéia, por exemplo.
"A ortopedia é uma forma de tratamento que visa corrigir as divergências do crescimento entre a maxila e a mandíbula. Redirecionando, restringindo e, até mesmo, estimulando o crescimento por meio de aparelhos bucais.”
Consultoria:
PROF. DR. CÍCERO ERMINIO LASCALA
CRO/SP 32 452
Mestre e Doutor em Diagnóstico Bucal pela USP – Universidade de São Paulo
Especialista em: Ortodontia, Ortopedia Facial, Ortopedia Funcional dos Maxilares e Periodontia
Av. Diógenes Ribeiro de Lima, 3221 - Cj. O4 - Alto da Lapa - São Paulo - SP - CEP 05083-010
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