 Tireóide a vilã da história?
É ela quem costuma levar a culpa quando queremos emagrecer ou engordar e não conseguimos, mas é preciso separar o que é verdade e o que é lenda sobre essa importante glândula do corpo Por Mariana Viktor
Se a glândula tireóide tivesse orelhas, é certo que estariam sempre vermelhas e ardendo. É que toda vez que alguém não consegue emagrecer ou engordar, logo imagina que a culpa é dela. “A tireóide é a primeira suspeita porque os hormônios que produz participam de todas as reações metabólicas do corpo, incluindo a própria velocidade do metabolismo, ou seja, das reações químicas que ocorrem em todo o organismo”, explica a endocrinologista Marisa Helena Coral, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional de Santa Catarina.
No hipertireoidismo – que é o aumento exagerado da produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4) –, o metabolismo
acelera, o gasto calórico se intensifica e a pessoa emagrece. Já no hipotireoidismo o processo é inverso: a produção hormonal diminui, o metabolismo se torna mais lento, passamos a queimar menos calorias e acumulamos mais gordura corporal.
Mas a tireóide não é a única responsável pela velocidade do metabolismo. Cerca de 80% da taxa metabólica são determinados pela genética. Pessoas que passam o dia comendo e não engordam, por exemplo, possuem um metabolismo naturalmente mais dinâmico – e não sofrem necessariamente de hipertireoidismo. Já aquelas que engordam “só de olhar para a comida”, provavelmente nasceram com um metabolismo lento, que queima menos calorias, favorecendo o ganho de peso sem que isso signifique que elas sofram de hipotireoidismo.
Assim, se você sempre teve problemas para emagrecer ou engordar, isso não se deve a alguma disfunção da tireóide. “Os distúrbios da tireóide que levam a um ganho ou à perda de peso geralmente vêm acompanhados de vários sintomas”, explica o endocrinologista Tércio Rocha (RJ).
Hipotireoidismo - Ai, que moleza!
Quando a tireóide passa a funcionar menos e deixa de produzir a quantidade necessária de hormônios, o organismo todo se ressente e emite outros sinais além do ganho de peso: sonolência, prisão de ventre, fezes ressecadas, diminuição do apetite, fraqueza, retenção de líquido, raciocínio lento, unhas fracas e queda de cabelos, que se tornam secos e quebradiços. O diagnóstico é feito através de exame clínico, do histórico dos sintomas relatados, de exames de sangue para avaliar a dosagem de T4 e TSH – hormônio produzido pela hipófise e que estimula o funcionamento da tireóide. “Se a tireóide está funcionando pouco, o TSH sobe. Se está funcionando muito, o TSH desce”, explica a endocrinologista Marisa Coral.
O médico também vai solicitar uma pesquisa de anticorpos antitireóide e, conforme o caso, ultra-som e cintilografia. As causas mais comuns que desencadeiam o hipotireoidismo são:
Psicotrauma: Um choque emocional pode afetar o funcionamento da tireóide.
Predisposição genética: há histórico familiar da disfunção.
Tireoidite de Hashimoto: doença auto-imune em que o organismo produz anticorpos contra a tireóide, que diminui sua atividade e aumenta de tamanho.
Tireoidite subaguda: processo inflamatório e doloroso, de origem viral. O tratamento usual inclui doses diárias de tiroxina (T4), calculadas com base no peso do paciente e controladas pela checagem regular da dosagem de TSH.
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